Super-heróis contra o câncer infantil

Tratamento infantil com gibi e acessórios da Liga da Justiça inspira crianças com a doença.

Numa edição extra da HQ, Batman está com câncer. Logo após o diagnóstico, o herói mascarado já começou a receber uma “superfórmula” contra a doença e, apesar de ter perdido cabelo e emagrecido um pouco, está forte para voltar a combater o mal. Os vilões nem puderam comemorar.
Não é fantasia, é uma ação muito criativa resultado da parceria entre o Centro de Referência AC.Camargo, a Warner e a agência JWT.

A ação transformou um andar da unidade hospitalar na nova sede da Liga da Justiça. O QG de super-heróis instalado no hospital tem 15 vagas ocupadas por heróis mirins que precisam de uma ajudinha externa da medicina para voltar à ativa.

Na vida real, todos os pacientes infantis atendidos também têm acesso ao tratamento que, no gibi, promete salvar a vida do homem-morcego.

Após leitura da HQ com a trajetória vitoriosa de Batman, os pacientes confiam de que a “superfórmula” também vai ajudá-los a vencer o câncer.

“Fico um pouco enjoado quando recebo a Superfórmula, mas aprendi que ela é importante para mim”, dizia Porthos, com o medicamento entrando pelas veias, sorriso no rosto, um olho no Facebook e outro no gibi – que é distribuído apenas aos pacientes da unidade.

Todos os quartos e acessórios utilizados no tratamento dos pacientes da oncologia pediátrica receberam a adaptação em cores, símbolos e adereços de personagens como Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde e Superman.

A chefe da oncologia pediátrica do hospital, Cecília Maria Lima da Costa, explica que usar os adereços heróicos é uma fórmula de apresentar o câncer às crianças de uma maneira lúdica e didática, já que elas precisam entender o tratamento para aceitá-lo melhor.

“A quimioterapia tem efeitos colaterais que não são agradáveis (como enjoos, apetite desregulado, queda dos cabelos). Se a criança não entende que o medicamento é um benefício, apesar de todos estes sintomas, pode ficar confusa e resistente”, afirma a especialista.
“Lembro de pacientes pequenos que se recusavam a receber um tratamento que salva vidas”, recordaa Cecília.
Enxergar a vilã quimioterapia como a mocinha “superfórmula” faz toda a diferença para os meninos e meninas, dizem os próprios heróis-mirins.
“Fica menos confuso na cabeça da gente. Porque às vezes eu não gosto dos remédios, dá um nó no estômago. Mas sei que eles vão me ajudar e saber disso ajuda”, diz um paciente mirim.

“Santo tratamento Batman”, diria Robin, o parceiro do homem-morcego. Mas na década de 1960, quando o bordão do menino prodígio ficou famoso, o índice de cura dos cânceres infantis não alcançava a marca dos 20%, informa o relatório do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Atualmente oito em cada dez crianças acometidas pela doença são curadas, mostra o mesmo relatório. Nesta ampliação da sobrevivência, as sequelas ruins do tratamento viraram prioridade de combate.

fonte: ig.com.br